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Cigarro eletrônico: especialistas fazem alerta sobre os malefícios do uso do dispositivo


Cigarro eletrônico: especialistas fazem alerta sobre os malefícios do uso do dispositivo

 

Com o discurso de que é menos prejudicial à saúde do que o cigarro convencional, surgiu e virou sensação nos últimos anos, o cigarro eletrônico. Porém, pesquisas afirmam que é um discurso enganoso. Conversamos com alguns professores dos cursos de saúde da Unifametro para mostrar que essa “moda” pode ser uma grande armadilha e o que promete ser menos danoso, na verdade traz muitos riscos à saúde. 

 

Esse tipo de dispositivo eletrônico é recarregável e pode conter nicotina. Enquanto um cigarro comum oferece cerca de 15 tragadas, um vaporizador de 1,5 mil tragadas seria equivalente cinco maços de cigarro, aproximadamente. Além disso, os cigarros convencionais, regulamentados pela Anvisa, contém um miligrama de nicotina, no máximo. Já os cigarros eletrônicos podem conter uma quantidade muito maior de nicotina, pois não são fiscalizados. 

 

De acordo com o professor dos cursos de Farmácia e Enfermagem da Unifametro, Moisés Maia Neto, estudos mostram que no Brasil, 18% dos adolescentes de 13 a 17 anos declararam já ter feito uso do dispositivo em algum momento e 70% dos usuários têm idade entre 15 e 24 anos. Assim, com o aumento do consumo dos dispositivos eletrônicos, a Anvisa proibiu a comercialização, importação e propaganda dos dispositivos, porque não foram apresentados dados consistentes que mostrassem os benefícios do dispositivo.

 

Ainda de acordo com o professor, é verdade que os cigarros eletrônicos apresentam um menor número de substâncias tóxicas, se comparadas às geradas pela queima de tabaco. Contudo, estudos mostram que esse menor quantitativo não tem se traduzido em redução da incidência dos mesmos malefícios já apontados para o cigarro de tabaco. 

 

Os usuários do cigarro eletrônico defendem o uso porque que não deixam odor, além de não terem sempre a nicotina em sua composição e poderem controlar os componentes, em alguns casos. Porém, as evidências apontam que o uso acaba sendo mais frequente e consequentemente o quantitativo de nicotina inalada muitas vezes supera ao de usuários dos cigarros tradicionais. Além disso, a baixa regulamentação e padronização permite que muitos dispositivos eletrônicos que alegam não ter nicotina, na verdade o possuem, e outras substâncias tóxicas não declaradas estão presentes em muitos dos dispositivos que já passaram por análises químicas.

 

“Há certo consenso na comunidade científica que os dispositivos eletrônicos possam trazer benefícios, mesmo que limitados, aos usuários de cigarros de tabaco que desejam largar a dependência da nicotina. No entanto, seu uso por não dependentes, principalmente entre adolescentes e jovens, poderá trazer prejuízos à saúde, já conhecidos a nível cardiovascular e respiratório, além de prejuízos cognitivos de longo prazo que são difíceis de mensurar e ainda se encontram em investigação”, explica o professor Moisés Maia Neto.

 

Segundo a professora do curso de Fisioterapia da Unifametro, Natália Aguiar Moraes Vitoriano, o uso de cigarro eletrônico pode levar a diversos danos ao sistema respiratório, gastrointestinal, além de causar dependência e estimular o uso de cigarros convencionais. Por isso, existe uma necessidade de fiscalização rigorosa desses dispositivos, bem como ações de conscientização sobre seus malefícios. A EVALI, sigla em inglês para “Lesão Pulmonar Associada ao uso de Cigarro Eletrônico” é uma doença pulmonar associada ao uso desses dispositivos, sendo caracterizada por um tipo de reação inflamatória no órgão, podendo ocasionar fibrose pulmonar, pneumonia ou insuficiência respiratória. Os sintomas incluem falta de ar, tosse, náuseas, vômitos, febre, mal estar, taquicardia e taquipneia. Seu tratamento consiste na suspensão do uso do cigarro eletrônico, além de suporte clínico, como suprimento de oxigênio e aplicação de ventilação mecânica. 

 

O fisioterapeuta possui um significativo papel no tratamento, por meio de intervenções que promovam melhora da funcionalidade pulmonar e suporte ventilatório. “A assistência fisioterapêutica pode estar relacionada a execução de técnicas voltadas para a melhora da capacidade pulmonar, através de exercícios com foco na musculatura respiratória, manejo de terapias voltadas para oxigenação tecidual, avaliação e adequado ajuste de suporte ventilatório invasivo e não invasivo, assim como todo o suporte para a redução dos impactos que essas alterações podem acarretar a capacidade funcional do paciente em realizar suas atividades de rotina”, esclarece a professora Natália Aguiar Moraes Vitoriano.

 

Conforme o artigo “Dispositivos Eletrônicos para Fumar, a modernização da indústria do cigarro e a saúde bucal”, escrito pela professora Paula Ventura da Silveira e os estudantes Ivana Silva Santos e Marcondes de Sousa Mesquita, do curso de Odontologia da Unifametro, também são utilizados compostos para produção do aerossol, como o propilenoglicol e glicerol, substâncias que já foram comprovadas como irritantes para as vias aéreas superiores. Apesar da venda do cigarro eletrônico ser proibida no Brasil, pouco se sabe sobre as repercussões da inalação da fumaça do dispositivo e suas consequências para a saúde, principalmente no que diz respeito sobre a cavidade oral.

 

Ainda de acordo com o artigo, um fator questionável é a segurança dos cigarros eletrônicos, existem estudos e relatos que mostram o potencial risco de os dispositivos causarem explosão. “Este fato decorre principalmente devido às baterias de lítio utilizadas em muitos desses e-cigs, que se sofrerem aumento da temperatura interna e superaquecerem, podem explodir, causando, além de tudo, queimaduras químicas pelo conteúdo presente no lítio. Há um caso clínico relatado de um usuário de cigarro eletrônico que teve o dispositivo explodido na boca durante seu uso. O indivíduo sofreu danos severos na cavidade bucal, ocasionando fraturas, avulsões e luxações nos dentes anteriores, como também, ocorreu a fratura da pré-maxila e espinha nasal anterior, além de repercussões extraorais, o que provocou lacerações no lábio superior, mucosa labial, gengiva, língua, palato duro e pele da face”.

 

Assim, os riscos do cigarro eletrônico são evidentes e as chances de iniciar o tabagismo a partir do uso dos dispositivos é grande. É um hábito, que ao contrário do que os usuários defendem, contribui para a desaceleração no processo de redução da quantidade de fumantes no Brasil.