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Entrevista com Mirian Coelho: Outubro Rosa e a Enfermagem


Entrevista com Mirian Coelho: Outubro Rosa e a Enfermagem

Você conhece a campanha Outubro Rosa? Anualmente, o mês de outubro é dedicado a ações de conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Em 2020, foram 2,3 milhões de mulheres diagnosticadas com a doença em todo o mundo. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) ainda informa que, no Brasil, 8 mil casos de câncer de mama tiveram relação direta com fatores comportamentais.

 

Por isso, a conscientização torna-se importante, e os profissionais da saúde são imprescindíveis nessa ação. A enfermeira, mestre em Saúde Pública e professora do Centro Universitário Fametro (Unifametro), Mirian Coelho, afirma a relevância da enfermagem na luta contra o câncer de mama. 

 

“O autoexame não previne o câncer, mas auxilia na detecção precoce […] O enfermeiro possui um maior vínculo com a população e, dentre as ações que fazem parte de sua rotina, ele realiza orientações sobre os principais sinais e sintomas presentes no câncer de mama” – Mirian Coelho

 

Conversamos com a professora para entender os dados e os cuidados necessários para prevenção do câncer de mama, além do papel da Enfermagem nessa campanha. Confira:

 

Centro Universitário Fametro: Qual a importância do Outubro Rosa?

 

Mirian Coelho: O Outubro Rosa é o mês destinado à conscientização sobre o câncer de mama. Se trata de um movimento que ocorre no mundo inteiro, onde todas as esferas da sociedade se unem para promover o compartilhamento de informações referentes a métodos de prevenção, de detecção e de tratamento sobre esse tema tão importante. Esse é o segundo tipo de câncer mais prevalente no mundo, acometendo, principalmente, as mulheres. Mas, é importantíssimo lembrar: os homens também podem ter esse tipo de neoplasia. 

Essa mobilização começou a tomar forma nos anos 1990, nos Estados Unidos. O lacinho rosa como marca registrada surgiu de lá também, sendo lançado pela Fundação Susan G. Komen for The Cure, após distribuírem os lacinhos entre os corredores da Primeira Corrida pela Cura. Já no Brasil, apenas no ano de 2002, quase uma década depois, se iniciou o vislumbre do movimento, mas somente no ano de 2008 ele tomou mais força e proporção. 

Apesar de toda a mobilização, o câncer de mama ainda possui uma alta taxa de mortalidade. Somente no Brasil, no ano de 2019, cerca de 18.000 mulheres e 200 homens faleceram em decorrência dessa doença, principalmente devido ao diagnóstico tardio. Por isso, reservar um mês para direcionar as pessoas para métodos de prevenção e detecção precoce do câncer de mama se torna tão importante, já que esses dois cuidados ainda fazem parte do melhor tratamento.  

 

Unifametro: Como a Enfermagem auxilia na prevenção do câncer de mama?

 

MC: A Enfermagem por si já é uma profissão educadora, dessa forma o enfermeiro realiza  a sensibilização da comunidade, levando o conhecimento sobre os principais fatores de riscos à população, e trabalha a educação emancipadora. Lembrando que, o autoexame não previne o câncer, mas auxilia na detecção precoce. Ao nível de atenção primária de saúde (posto de saúde), o enfermeiro possui um maior vínculo com a população e, dentre as ações que fazem parte de sua rotina, esse profissional realiza orientações sobre os principais sinais e sintomas presentes no câncer de mama. Além disso, identificando algum caso suspeito, ele realiza os encaminhamentos necessários, como solicitação do exame de mamografia e encaminhamento para avaliação médica.

 

Unifametro: Quais as principais causas da doença e como prevenir?

 

MC: Eu vou precisar dividir em três grandes blocos: a causa, a prevenção e a detecção precoce.

Sobre as causas, o câncer de mama é multifatorial, isso significa que existem vários fatores que podem ocasionar o surgimento dos tumores: fatores ambientais e comportamentais; fatores da história reprodutiva e hormonal; e fatores genéticos e hereditários. Os fatores ambientais e comportamentais são aqueles que conseguimos evitar e cuidar, como: sedentarismo, consumo de álcool, uso de cigarros, obesidade e sobrepeso, exposição à radiação, entre outros.

Os fatores da história reprodutiva e hormonal estão mais relacionados ao corpo e às decisões da mulher em si. Eles são: não ter filhos, ter a primeira gestação após os 30 anos, uso de anticoncepcionais hormonais, menarca (primeira menstruação) antes dos 12 anos e ter feito reposição hormonal pós-menopausa por mais de cinco anos.

Já os fatores genéticos e hereditários são aqueles que não temos como modificar. Como histórico familiar de câncer de mama, câncer de ovário e alterações genéticas nos genes BRCA1 e BRCA2.

Já em relação à prevenção, é necessário: 

 

– Realizar atividade física;

– Manter o peso corporal adequado;

– Evitar o uso de bebidas alcoólicas e cigarros;

– Amamentar.

 

Devemos lembrar que existem fatores que não tem como prevenir ou evitar (como os genéticos). Assim, a melhor cautela é atentar-se para a investigação contínua e detecção precoce, já que o tratamento precoce aumenta as chances de cura.

A detecção precoce consiste no conhecimento da mulher sobre o seu corpo, saber o que é normal e o que não é normal. Os sinais de alerta são:

 

– Um nódulo – ou caroço –  na mama, que não sai do lugar (fixo) e sem dor quando é tocado;

– A pele da mama está vermelha, retraída ou com a aparência de uma casca de laranja;

– Os mamilos (os bicos dos peitos) estão alterados: coloração, formato;

– Saída de secreção estranha  da mama;

– Pequenos caroços na região da axila e pescoço.

 

Além disso, no Brasil o Ministério da Saúde adota o rastreamento com o exame da mamografia em mulheres entre 50 e 69 anos, de dois em dois anos (caso haja normalidade). Descobrindo o câncer cedo, aumenta a chance de cura e reduz o risco de morte.

Então, tenham um estilo de vida saudável e observe seu corpo. Você deve conhecê-lo muito bem e, com qualquer sinal de mudança, procurar ajuda. O autoexame deve ser realizado dez dias após o primeiro dia da menstruação para evitar desconforto pelo inchaço no período menstrual. No caso dos homens e de mulheres que não menstruam mais, orienta-se escolher um dia em cada mês para realizar o autoexame.

 

Enfermagem Unifametro

 

Reconhecido com nota máxima pelo Ministério da Educação (MEC), o curso de Enfermagem da Unifametro  forma profissionais da saúde competentes nos aspectos técnicos, políticos, humanísticos, e comprometidos com a transformação social. O graduado também tem acesso à Clínica Integrada de Saúde Unifametro, onde realizar boa parte das atividades práticas do curso. Faça a sua inscrição aqui.