fbpx

Especialista explica casos em que a automedicação é perigosa


Especialista explica casos em que a automedicação é perigosa

A Automedicação se tornou um hábito no Brasil – dados do Conselho Federal de Medicina (CFM) indicam que 77% dos brasileiros fazem o uso de medicamentos sem qualquer orientação médica. Apesar de comum, a prática pode provocar efeitos adversos, como o prolongamento das doenças em determinados casos. Conversamos com Nívia Tavares, professora do curso de Farmácia da Unifametro, para falar sobre o assunto. Confira a entrevista:

Muito se fala em automedicação, mas afinal o que é?

Nívia Tavares: A automedicação é o ato de tomar um medicamento sem orientação de um profissional de saúde. A OMS trabalha com o termo “automedicação responsável” que é a “prática dos indivíduos tratar seus próprios sintomas e males menores com medicamentos aprovados e disponíveis, sem prescrição médica, e que são seguros quando usados segundo as instruções”. Lembrando que esse conceito de automedicação responsável se aplica apenas aos medicamentos isentos de prescrição, quando são utilizados para tratar problemas de saúde autolimitados, que são em geral enfermidades agudas e de baixa gravidade.

Quais as causas da automedicação?

Nívia Tavares: Existem inúmeras causas para a Automedicação, dentre elas cito como sendo as que percebo como mais importantes: a dificuldade de acesso da população aos serviços de saúde, a propaganda de medicamentos que impulsiona o consumo, a compra de medicamentos na farmácia sem a necessidade da receita médica mesmo para medicamentos tarjados como “venda sob prescrição médica” e a nossa “cultura da automedicação”, afinal todo mundo conhece alguém que adora indicar algum medicamento, independente do sintoma sempre tem alguém com alguma dica infalível.

Quais os maiores riscos da automedicação?

Nívia Tavares: Os maiores riscos da automedicação são o de mascarar os sintomas de uma doença grave e com isso atrasar o tratamento adequado; a possibilidade de aumento de ocorrência de efeitos indesejáveis, o que pode causar sérios riscos à saúde; e se esse uso for de antibióticos, por exemplo, há ainda o risco de ocorrência de resistência bacteriana.

Além dos riscos para a saúde, a automedicação pode trazer também um impacto no bolso, uma vez que, sem um diagnóstico adequado e uma orientação de profissional da saúde a pessoa pode comprar vários medicamentos que não sejam efetivos para a doença que a acomete.

Na pandemia, a automedicação é ainda mais arriscada? Se sim, porque?

Nívia Tavares: Considero que sim, tendo em vista que mesmo depois de dois anos ainda existem muitas informações que desconhecemos sobre a Covid, bem como, sobre as sequelas da Covid. Quando temos uma situação dessas em que ainda não conhecemos muito bem sobre uma doença recomenda-se cautela no uso de medicamentos para tratá-la uma vez que, não se conhece o efeito daquele medicamento na doença. Às vezes mesmo os medicamentos de uso frequente como analgésicos e antitérmicos, à depender da doença, podem aumentar os riscos de complicações, é o que explica por exemplo a contraindicação do uso do ácido acetilsalicílico no tratamento da Dengue.

O que poderia ser feito para que as pessoas se automediquem menos?

Nívia Tavares: Creio que precisamos conversar mais com as pessoas sobre medicamentos. É importante que as pessoas saibam que todo medicamento possui riscos e que estar bem-informado e fazer o uso correto desse medicamento aumenta a segurança no seu uso.

Existe há cinco anos na Unifametro um projeto de extensão chamado Centro de Informação sobre Medicamentos – Unifametro, que tem como objetivo, levar informações para as pessoas sobre o uso correto e seguro de medicamentos. Desenvolvemos ações com a comunidade do nosso entorno em um formato lúdico para discutirmos questões do cotidiano que estão relacionadas ao uso de medicamentos.